31.8.08

Guaiá

Quero uma única vez a beleza de tuas palavras em meu ouvido. Quero a tua imagem parada ao pé da cama prestes a resgatar algo em mim já perdido.

Quero o som, todo o som possível, toda a acústica sensível, um sopro de voz.

Quero uma chuva em meu estômago, um pulo entre os pulmões, reverberar meu âmago, cintilar.

Sacudir o caos que transborda, manifestar as rimas latentes e presentes, naufragar.

Quero ao menos uma única vez, mesmo sabendo que o sol poente pode determinar o fim, arder os versos e os verbos nunca ditos.

Quero poder fechar a porta com uma saudade recente e sufocante, quero descompassar.

Findar a distância e a ânsia lírica, quase platônica.

Quero confundir o ciclo, nascer ao sol, antes borboleta e depois encasular.

Quero consumir o que resta, pousar e fechar as asas, unir as partes que se abrem ao voar.

Quero a destreza de tuas palavras em meu ouvido, quero os sentidos acesos, receptivos. Quero o planalto mais perto, mais certo, menos deserto.

Quero o som, todo o som possível, toda a acústica sensível, um sopro de voz.

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"Se apenas houvesse uma única verdade, não poderiam pintar-se cem telas sobre o mesmo tema".

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